Edição (ANTERIOR) de Agosto de 2013.

Era uma vez um chip queimado...

* Por Fábio Dacêncio Pereira
 


 Ingressei em 1999, na segunda turma do Bacharelado em Ciência de Computação. As primeiras turmas eram uma mistura de jovens recém-formados no Ensino Médio com profissionais que já atuavam no mercado de trabalho, mas não possuíam uma graduação. Na época, era explicito o esforço do diretor e professores do curso em atender as expectativas de alunos com perfis tão distintos.

Os alunos eram parte ativa no processo de criação do novo curso, formação da biblioteca, laboratórios, salas de aula, atividades acadêmicas e contratação de professores. Acompanhamos esse processo durante toda a graduação.
A pesquisa sempre foi um dos diferenciais do curso. Para manter um programa de pesquisa com a qualidade observada nesses 15 anos de Computação, investimentos são feitos constantemente em corpo docente, infraestrutura e atualização em matriz curricular. Ou seja, se a pesquisa vai bem, consequentemente o ensino e extensão atingem um alto nível de qualidade. Isso se reflete diretamente nos egressos do curso, que ocupam cargos de destaque no país e no exterior.
Quando me foi solicitado um depoimento sobre o curso de Computação, fiquei com muita dúvida sobre qual das inúmeras boas experiências eu iria relatar. Poderia falar sobre a qualidade dos professores, da infraestrutura, das oportunidades, de publicações, entre outras.  No entanto, escolhi um acontecimento do dia a dia que reflete a visão e a missão deste curso.
Durante o período de férias, os alunos da Computação costumavam ficar no laboratório de pesquisa, fazendo iniciação científica ou aprendendo novas tecnologias. Eu estava nesse grupo.
Já era uma sexta-feira, final de tarde, e estávamos trabalhando em um projeto que utilizava uma tecnologia cara de chips programáveis, recém-adquirida pela instituição para avançar na pesquisa de ponta.
Em um dos testes explorando essa nova tecnologia, cometemos uma falha no processo de manipulação do hardware e, infelizmente, queimamos o chip. Bem, ai é fácil imaginar o desespero. Era muito caro e, pior, tínhamos que comunicar ao professor Bugatti sobre o acontecido.
Já tínhamos o discurso pronto. Fomos até a sala do professor. Eu fui o escolhido para falar:
- Professor, tudo bem com o senhor? Estávamos manipulando o chip novo e acho que ele queimou!
O professor fez aqueles segundos de silêncio, respirou fundo e disse:
- Você ACHA ou tem CERTEZA?
- Temos certeza professor.
Mais alguns segundos de silêncio e logo fomos falando:
- Professor, podemos fazer uma “vaquinha” para adquirir um novo para instituição. 
Ele, com um olhar conclusivo, disse:
- Fábio, o chip só queimou porque vocês estavam trabalhando. Não estou chateado, pois seria bem pior ter adquirido essa tecnologia e vê-la fechada dentro de um armário, sem ninguém utilizar. Tome mais cuidado.
Olhamos um para o outro, surpresos, e voltamos a trabalhar. Ao final da graduação, escrevemos um dos primeiros livros em português sobre esta tecnologia, adotado como base em universidades públicas e privadas de todo país.
Alunos formados nesses 15 anos têm orgulho do curso.
 
Fábio Dacêncio Pereira é graduado na segunda turma de Ciência da Computação, mestre pelo Univem e doutor pela Poli/USP. É coordenador do Núcleo de Apoio à Pesquisa e Extensão (NAPEx) do Univem. O amigo que o acompanhou no episódio da ‘queima’ do chip é César Giacomini Penteado, também mestre pelo Univem e doutor pela USP





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