Edição (ANTERIOR) de Fevereiro de 2014.

A BANALIDADE DO MAL SEGUNDO HANNAH ARENDT

* Por Sérgio Leandro Carmo Dobarro
 


 1 QUEM ERA HANNAH ARENDT?

 
De origem judaica Hannah Arendt nasceu na cidade de Hannover-Alemanha em 1906, e em 1924, seu pai faleceu cedo, desta forma foi criada pela mãe que desde o principio a criou com ideais social-democratas. Ao completar 17 anos instalou-se em Berlin com a finalidade de estudar filosofia e teologia. Logo começou os estudos na universidade de Marburg.
            Mudou-se para a cidade de Berlim em 1929, com o auge do nazismo transferiu-se para Paris, onde obteve contato com inúmero intelectuais. Ao decorrer a Guerra, no período em que a França aliou-se com a Alemanha, Hannah Arendt foi enviada a um campo de concentração por ser considerada uma estrangeira suspeita. Porém em 1941, fugiu para Nova York, e, terminada a guerra retorna à Alemanha.
            Sua produção literária foi extensa na área filosófica e tinha contatos com os grandes filósofos do século XX, contudo, ela não se incluía neste circulo, pois preferia se intitular cientista-política. Segundo suas próprias palavras (Arendt, 2008):
“Minha profissão, se é que se pode chamar assim, é a teoria política (...) Para mim, o importante é compreender. Escrever é uma questão de procurar essa compreensão (...) o importante é o processo de pensar. Se consigo expressar de modo razoável meu processo de pensamento por escrito, isso me deixa satisfeita”.  
 
2 A BANALIDADE DO MAL SEGUNDO HANNAH ARENDT
 
            Hannah Arendt presenciou em todas as etapas o julgamento do oficial nazista Adolf Eichmann na função de correspondente do jornal americano The New Yorker e também o entrevistou.
            A conduta de Adolf Eichmann ao logo do processo até sua morte por enforcamento,  era de um indivíduo incapaz de realizar o ato de pensar e constituir um juízo reflexivo e crítico, nas palavras Arendt “o executante era ordinário, comum, nem demoníaco, nem monstruoso”.  Suas palavras, suas formas de se expressar eram feitas por sentenças prontas, praticamente robotizadas, por exemplo: minha honra é minha lealdade.          
            Tamanha era a lealdade do oficial nazista que o fez nunca tomar decisões por si só, pois era preciso realizar meticulosamente as ordens passadas a ele, cumprindo dessa forma o juramento irrestrito de fidelidade ao partido que o nomeara oficial da Gestapo. O mesmo dizia que a cega realização das ordens proferidas a ele por seus superiores poderia ser colacionada a obediência de um cadáver, foi ao ouvir isto que Hannah Arendt adotou o termo “banalidade do mal”.
            Neste diapasão Hannah Arendt, compreendeu haver uma distinção no patamar de responsabilidade dos chefes do movimento totalitário e dos indivíduos que executavam burocraticamente todas as ordens que lhe eram incumbidas pela cúpula nazista. Desta forma, é demonstrado o quanto deveria ser analisado a questão da ligação entre o pensar e o agir.
            Quanto a essa questão (Arendt, 2008):
“Será que a natureza da atividade do pensar, o hábito de examinar, refletir sobre qualquer acontecimento, poderia condicionar as pessoas e não fazer o mal? Estará entre os atributos da atividade do pensar, em sua natureza intrínseca, a possibilidade de evitar que se faça o mal? Ou será que podemos detectar uma das expressões do mal, qual seja, o mal banal, como fruto do não-exercício do pensar?”
            Inúmeras obras foram escritas sobre Hannah Arendr. É preciso evidenciar que ainda não é conhecido o suficiente desta mulher que faleceu em 1975. Todos os seus ensinamentos e obras a consagram como uma das mais autênticas pensadoras de sua geração, e torna-se imprescindível escutar a sua voz com bem atentamente no alvorecer desse milênio cheio de incertezas.
 
 
Sérgio Leandro Carmo Dobarro é mestrando em Direito pelo Univem. Email: sergioleandroc@itelefonica.com.br
 
               
 
 
 
 
 
 
 
 
REFERÊNCIAS
Arendt H. Compreender: formação, exílio e totalitarismo. Belo Horizonte (BH): Companhia das Letras/Editora UFMG; 2008.





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