Edição (ANTERIOR) de Fevereiro de 2014.

REVOLUCIONÁRIO DA LIBERDADE: NELSON MANDELA

Sergio Leandro Carmo Dobarro - Ricardo Pinha Alonso
 


 
AUTORES:
Sergio Leandro Carmo Dobarro
Mestrando pelo Centro Universitário Eurípedes de Marília – UNIVEM.
Bacharel em Direito pela Universidade Metodista de Piracicaba – UNIMEP. Email: sergioleandroc@itelefonica.com.br
 
Ricardo Pinha Alonso
Doutor em Direito – PUC/SP, Professor Universitário na graduação e no programa de Mestrado do Centro Universitário Eurípides de Marília – UNIVEM, Professor no Curso de Direito das Faculdades Integradas de Ourinhos – FIO e Procurador do Estado de São Paulo.
ripial1@gmail.com
 
“Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele ou por sua origem, ou sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender.  E se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar, pois o amor chega mais naturalmente ao coração humano do que o seu oposto. A bondade humana é uma chama que pode ser oculta, jamais extinta.” Nelson Mandela

1 O NASCER DE UM GIGANTE
Em 18 de julho de 1918, nas proximidades de Mvezo, nasceu “Nelson”, o primeiro componente de uma família de 13 irmãos a estudar em um colégio, no qual, instruiu-se em cultura ocidental e principiou o curso de direito na Universidade de Fort Hare. Já demonstrando suas habilidades em liderança fundou em 1944 a Liga Jovem do Congresso Nacional Africano (MANDELA, 2012, p. 17).
Neste mesmo ano de 1944 casa-se com Evelyn Ntoko Mase, divorciaram-se em 1957. Segundo especulações uma das causas do rompimento foi o compromisso de Mandela com a contenda versus o regime do apartheid, à qual Evelyn era avessa, e também a transformação desta em Testemunha de Jeová. Tiveram dois filhos e duas filhas.
 
            Seu segundo casamento foi em 1958, com Winnie Madikizela com ela teve duas filhas, porém após 38 anos de união divorciaram-se. Especula-se que o desgaste e o posterior fim do casamento decorreu do fato de Winnie usar o poder do até então marido em benefício a si mesma.
 
2 NELSON MANDELA E O MUNDO:O INÍCIO DA LUTA CONTRA O PRECONCEITO E A INTOLERÂNCIA
 
1944 – Fundou a Liga Jovem do Congresso Nacional Africano, junto a dois companheiros.
1948 – A regime do apartheid começou a ser instalado na África do Sul pelo Partido Nacional. Mas enfim, o que significava o regime do apartheid que Mandela combateu?
2.1 COMPREENDENDO O APARTHEID.
O vocábulo apartheid expressa “identidade separada” e foi utilizado para exprimir o regime político da África do Sul, que ao longo de muito tempo, obrigou que conjuntos de pessoas de determinadas etnias, constituídos em maior parte por negros fossem dominados por uma minoria branca.
            Ressalta-se que o apartheid não pode ser considerado somente como “racismo”, já que pertenceu a um processo constitucional de segregação racial que envolveu âmbitos políticos, sociais e econômicos da coletividade sul-africana decretando diretrizes para selecionar os grupos.
            O histórico do apartheid é bem remoto, começa na época da colonização da África do Sul, nos séculos 17 e 18, sendo que os primeiros colonizadores eram formados por componentes europeus que vieram da Alemanha, Holanda e França. Estes mesmo colonizadores aniquilaram as tribos indígenas e, por conseguinte roubaram-lhes suas propriedades.
Os comandantes afrikaners (um grupo étnico da África do Sul, descendentes da HolandaAlemanhaFrança, Grã Bretanha e outros países europeus que se estabeleceram na África do Sul nos séculos XVII e XVIII) manipularam e transformaram um princípio religioso cristão, que até então tinha como base a segregação como uma maneira de resguardar e salvar as comunidades tribais do domínio dos brancos, em um sistema de ideias nacionalistas que propagavam a separação racial e a desigualdade. Logo abaixo foto dos comandantes afrikaners:

http://www.andrewcusack.com/net/wp-content/uploads/goldbafr10.jpg

            Os afrikaners, julgavam ser a verdadeira nação, cujos atributos raciais e a cor definiam o comando dos cidadãos brancos em patamar superior aos outros conjuntos sociais, exigindo uma estrutura de classe alicerçada no trabalho escravo.
Ocorreram muitos conflitos enquanto os afrikaners estendiam seus comandos aos povos não brancos da África do Sul. Nos territórios que foram tomados por eles instituiu-se uma política de discriminação racial que individualizou os europeus (os povos brancos), dos africanos, onde estavam inclusos todos os nativos não brancos, incluindo os imigrantes asiáticos e indianos.
3 UM LEÃO NA LUTA PELA LIBERTAÇÃO
O regime do apartheid iniciou-se na África do Sul pelo Partido Nacional em 1948. De acordo com o historiador americano Thomas McClendon: “muitos de seus líderes foram influenciados pela ideologia nazista”. O conceito da superioridade branca estava diretamente ligado aos afrikaners, entre estes se havia difundido a concepção de que eram os eleitos por Deus, sendo assim, superiores a outras “raças”. O Partido Nacional elaborou em torno de 148 leis no intuito de restringir os direitos dos negros, entre elas, a proibição de casamentos inter-raciais e a segregação em lugares e serviços públicos etc.
Nelson Mandela lutou incansavelmente objetivando o fim das políticas do apartheid do Partido Nacional no poder. Quando julgado por seus atos afirmou: “Eu dediquei minha vida a essa luta do povo Africano. Eu lutei contra a dominação branca e lutei contra a dominação negra. Eu estimo o ideal de uma sociedade livre e democrática em que todos os membros pudessem viver juntos em harmonia e com oportunidades iguais. É um ideal que espero viver e espero conseguir. Mas se for necessário, é um ideal pelo qual estou preparado para morrer.”
Disseminava e defendia a ideia de que as minorias deveriam batalhar para alcançar os direitos políticos objetivando a qualificação profissional e a educação, preservando-se assim, das insuficiências duráveis oriundas da discriminação racial.  Ressaltava que a vinda da democracia avalizaria a harmonia racial e também a liberdade para todos.
Sentenciado a prisão perpétua, Mandela converteu–se numa poderosa figura da resistência para o avanço do movimento de antiapartheid, inclusive rejeitando frequentemente a pactuar o seu caráter político para obter a liberdade. Durante os 37 anos em que esteve preso, segundo Mandela, refletiu constantemente sobre elementos internos e externos do ser. Para Mandela “… a cela é um lugar ideal para aprendermos a nos conhecer, para se vasculhar realística e regularmente os processos da mente e dos sentimentos”.
Apesar de sua prisão, a batalha versus o Apartheid permaneceu e em 1990 Mandela consegue a liberdade, e contraindo as expectativas de que ao sair da prisão passaria a espalhar vingança e revanche contra seus algozes, Nelson Mandela mais uma vez surpreende as nações pregando uma mensagem de fraternidade, paz e conciliação com os brancos, explanado que somente desta forma seria possível o trilhar de uma convivência pacífica entre as separações na África do Sul, desta forma, ele energizou a sua luta contra a tirania para alcançar as finalidades que ele e outros se    comprometeram atingir, aproximadamente quatro décadas antes.
Sua luta foi carregada de violência e sofrimento, mesmo durante a época da prisão, não se inclinou perante qualquer opositor, foi desta maneira que contestou o regime racista, que indivíduos presos não deviam negociar. E pelo fato de não ter cedido, resultou na decisão da tirania racista ceder, por total falta de alternativa.
A extinção do apartheid nunca foi uma conquista pacífica, pois foram mortos milhares de inocentes e rebeldes. Apenas depois do regime racista ceder, foi que começou o procedimento altruísta de reconciliação, comandado por Nelson Mandela, de convivência pacífica entre brancos e negros.
Nelson Mandela sempre foi um revolucionário aliado às massas espoliadas. Nunca deixou de lado seus ideias, tampouco se bandeou para o lado inimigo, em comparação a tantos líderes, nunca negociou durante sua época na prisão.
Uma ala conservadora atribuía à figuração heróica de Mandela a burguesia e seus meios de comunicação, e que o Congresso Nacional Africano (CNA) que auxiliou a instituir, seria um grupo com viés terrorista, desta forma, considera um perigo a idealização de Nelson Mandela como um patrimônio ideológico da humanidade, assim, tentam roubar a figura que Mandela sempre foi: um revolucionário, um herói da etnia mais explorada da Terra, tudo isso com um intuito muito específico, abafar a coragem de um líder que não cedia à força bruta dos dominadores racistas.
Já em liberdade sua luta continuava, e com o intuito de não servir como bode expiatório ao regime do apartheid, abandou sua família, sua profissão, estabeleceu-se na miséria e pobreza com seus conterrâneos com a finalidade de por em prática com magnitude uma estrutura libertadora. Em momento algum passou por sua cabeça deixar a África do Sul: “No meu caso, fiz a minha escolha. Eu não vou deixar a África do Sul. Eu não me rendo. A liberdade é conquistada à custa de provações, sacrifícios e na defesa da vida. A luta é a minha vida. Vou continuar a lutar pela liberdade até o fim dos meus dias[1].”
Foi em 1994, no mês de maio que Mandela iniciou o seu mandato como primeiro presidente negro da África do Sul, uma responsabilidade que a teve até 1999. Comandou a mudança do governo de minorias e apartheid, conseguindo desta forma a consideração e respeito internacional pela sua defesa da conciliação nacional e internacional.
A batalha que o presidente Mandela tomou para eliminar o apartheid foi decididamente um duelo pela própria essência da dignidade humana. Empreendeu esse combate como representante de toda a raça humana.
Nas palavras do presidente Mandela: "Ser livre não é somente libertar-se das correntes, mas viver de uma forma que respeite e fortaleça a liberdade dos outros[2]."
5 O RACISMO NO BRASIL
Nosso país necessitaria servir de modelo para o mundo, em equidade da diversidade de religiões, raças, culturas, em causa da diversidade de nossa origem.
Contudo, variadas vezes, o preconceito vive e se desponta pela humilhação atribuída àquele que é “diferente”. Em outras ocasiões o preconceito revela-se pela  selvageria. Na ocasião em que alguém é discriminado, humilhado, atacado em virtude à sua cor ou à sua crença, possui seus direitos constitucionais e humanos infringidos.
Uma pesquisa realizada pela Fundação Perseu Abramo revelou que grande parte dos brasileiros – 87% – admite que exista discriminação racial no país, mas apenas 4% da população se considera racista. Assim sendo, o racismo no Brasil é camuflado, mas notável, pois conserva nas desigualdades sociais raciais em todos os âmbitos e nesse sentido, é basilar debater sobre este assunto em todas as esferas institucionais, desde a família, e em especial nas escolas, tida como um dos fundamentais lugares formadores de opinião, podendo ser o local que formará o cidadão com consciência política. Se a educação foi empregada para construir preconceitos, ela pode e deve ser aproveitada para a desconstrução social do preconceito e da discriminação racial.[3]
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Celebrado por todo o mundo, por meio da Resolução A/RES/64/13 a ONU (Organização das Nações Unidas) homenageia na data de seu nascimento, 18 de julho o Dia Internacional Nelson Mandela, enaltecendo sua luta contra apartheid, a luta pela liberdade e proteção dos direitos humanos.
As atitudes preconceituosas são as ervas daninhas dos abusos aos direitos humanos por todo mundo, o triste e repetido comportamento do ser humano em rotular as pessoas não se restringe apenas a África do Sul.
< b="0" cellspacing="0" cellpadding="0" width="100%" style="width:100.0%;background:#F1EFE2;">
Compete ao ser humano uma ponderação aturada sobre as variadas discriminações que ainda incidem aos montes em nossa sociedade. Assim é obrigação de cada individuo lutar pela democracia, justiça e liberdade. Enganam-se aqueles que acham que lutar contra a pobreza é um sinal de caridade, pois este gesto é uma obrigação, para com o nosso próximo, um ato de justiça.
 
Luta que deve sempre estar em pauta, para reflexões, questionamentos, debates e cobranças aos eleitos por nossos votos, é a luta pela proteção e defesa dos direitos humanos e por uma vida digna e decente.
Façamos de cada dia um Dia Nelson Mandela para que a civilização humana coloque adiante de tudo a paz, liberdade, justiça e democracia, e se volva enriquecida na sua diversidade pelos atos sublimes e dignos, independentemente de cor, raça, etnia, credo, religião, casta, sexo, opção sexual, práticas sociais, culturais e classes.
Nelson Mandela estará sempre presente na luta dos que nada têm versus aqueles que têm demais. Na batalha dos que abarcam a fortuna à causa da miséria do outro. Daqueles que possuem o poder e o utilizam para conservar a sociedade sob domínio.
Ao desejar a paz temos que nos preparar para a mesma, evitando todas as presunções e todos os formatos de violência e guerra, independente do ensejo. Torna-se necessário recusar, com todo o ardor, a fantasia da paz armada, por ser inadmissível titular de paz uma ordem instituída no medo e na repressão.    
 
REFERÊNCIAS
MANDELA, N. Um longo caminho para a liberdade. Lisboa: Editorial Planeta, 2012. 600p.
CONSTANTINO, Rodrigo. Mandela: o outro lado. Disponivel em: <http://veja.abril.com.br/blog/rodrigo-constantino/historia/mandela-o-outro-lado/>.
KIWONHI, Sebastien. Nelson Mandela e o mundo: um exemplo de vida em prole do outro. domtoatal.com, 30 jul. 2010. Disponível em:< http://www.domtotal.com.br/colunas/detalhes.php?artId=1498>. Acesso em: 20 jan. 2014.
RODRIGUES, Floriano. Instituto Nelson Mandela entrega pela primeira vez o troféu dia de Mandela. Governo do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 19 jul. 2013. Disponível em: < http://www.rj.gov.br/web/seasdh/exibeconteudo?article-id=1682147>. Acesso em: 23 jan. 2014.
 
 


[1] KIWONHI, Sebastien. Nelson Mandela e o mundo: um exemplo de vida em prole do outro. domtoatal.com, 30 jul. 2010. Disponível em:< http://www.domtotal.com.br/colunas/detalhes.php?artId=1498>. Acesso em: 20 jan. 2014.
[2] RODRIGUES, Floriano. Instituto Nelson Mandela entrega pela primeira vez o troféu dia de Mandela. Governo do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 19 jul. 2013. Disponível em: < http://www.rj.gov.br/web/seasdh/exibeconteudo?article-id=1682147>. Acesso em: 23 jan. 2014.

[3] VIEIRA, Stanio de Souza Vieira. Racismo sem Racistas? Adfropress – Brasil, Rio de Janeiro, 09 de Nov. 2005. Disponivel em: <http://www.lpp-buenosaires.net/olped/acoesafirmativas/exibir_opiniao.asp?codnoticias=9288>. Acesso em: 01 fev. 2014. 






Aula inaugural
Mercado em expansão e boa formação sinalizam o caminho em TI
Mestrado
Computação mantém tradição de altos índices de aprovação em mestrados de ponta
Boas Vindas
O ano já começou. Que seja rico em conhecimento e cidadania!
Estágio
Um pé no curso e outro no futuro
Formaturas
O primeiro ano do resto de nossas vidas!

Artigos desta edição


UNIVEM - Centro Universitário Eurípides de Marília
O Jornal do UNIVEM - está aberto para sugestões e matérias. Os textos assinados podem ou não corresponder à opinião do jornal.
[ Edições anteriores ] - Contato via e-mail: fundacao@univem.edu.br